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Coimbra recebe Festival Política pela primeira vez

Evento dedica três dias de atividades ao tema Pós-Democracia. Fado Bicha e A garota não são os destaques do cartaz musical.
O grupo atua a 28 de setembro.

O Convento São Francisco (CSF) vai receber, pela primeira vez, a nova edição do Festival Política, entre os dias 29 e 30 de setembro. O evento vai contar com debates e workshops, assim como concertos, exposições e atividades para os mais novos. Todos os eventos são gratuitos. Alguns deles, por motivos relacionados com a natureza de cada atividade, exigem inscrição prévia.

O evento, que conta já com várias edições, fez-se presente para um warm-up em Coimbra em fevereiro. A edição deste ano tem como tema o conceito de “Pós-Democracia” e tem como objetivo “a defesa do sistema democrático, a promoção da cidadania, a intervenção cívica e os direitos humanos”, segundo a organização. Ao ter estas linhas orientadoras, o Festival Política pretende reforçar a ideia de que “os valores democráticos são inegociáveis, tendo na mira os casos crescentes de abraço ao autoritarismo”, como explicam os diretores artísticos Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques.

Além de momentos de debate, a iniciativa vai contar com uma vertente artística, desde a música ao cinema. Os destaques musicais vão para Fado Bicha, no dia 28 de setembro, às 21h30. O duo vai fazer uma revisitação de temas antigos do repertório do fado de Lisboa, num “concerto intimista” que, segundo a organização do Festival Política, vai evocar “um futuro em que toda a pluralidade humana se possa sentar à mesa”.

Ainda no âmbito da oferta musical, o Festival Política traz ao Grande Auditório do CSF, na noite de 29 de setembro, a artista de intervenção política do momento, A garota não. Numa atuação que vai ter o formato de uma conversa musicada, a cantautora vai levar a palco “Seleção Portuguesa: 10 milhões de convocados”, o seu concerto-manifesto, onde vai abordar temas da atualidade e falar “sobre alguns assuntos que a inquietam”. O concerto está marcado para as 21h30.

No entanto, nem só de música se faz o Festival Política. Para animar os espíritos enquanto se debatem temas sérios, o humorista Fernando Alvim vai apresentar os seus “Prémios dos Monstros do Ano. Edição quase quase Política”. Nesta apresentação, segundo adianta a organização do evento, o humorista vai fazer “homenagem aos portugueses que têm uma palavra a dizer sobre o País e o mundo”. A sessão vai ser às 21h30 do dia 30 de setembro.

Durante os três dias também vai ser possível visitar duas exposições de fotografia. A “Institucionalizado”, de Isa Marques e Airton César Monteiro, tem como objeto fotográfico dois antigos reclusos e pretende abordar quais as consequências do isolamento de quem está preso. Já a “Revelação”, uma iniciativa da cooperativa de intervenção social da Covilhã, a CooLabora, tem como tema a comunidade cigana, em particular os jovens. Esta mostra tem como objetivo expor a desigualdade de oportunidades que condiciona a possibilidade de estes jovens conseguirem “projetar um futuro”.

Além da música e do humor, o cinema vai ter espaço no Festival Política, com a exibição de documentários e filmes ao longo dos três dias. Também está prevista a realização de vários workshops e oficinas que têm o intuito de convidar ao debate sobre vários temas, desde a intervenção política a questões relacionadas com mobilidade e cidadania. Todas as oficinas necessitam de inscrição prévia.

Com o intuito de promover a aproximação dos cidadãos aos partidos representados na Assembleia da República, o Festival Política vai também dinamizar conversas de cinco minutos, em estilo de speed dating com deputados eleitos. Durante esses cinco minutos, os participantes poderão falar sobre qualquer tema à sua escolha. Esta atividade também requer inscrição.

Para que o festival seja acessível a todos, a organização adianta que vão disponibilizar intérpretes de língua gestual portuguesa em vários eventos. A programação detalhada encontra-se disponível no site do Festival Política.

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