na cidade

A voluntária da República Checa que está a correr em nome dos animais de Coimbra

Jana vive há três anos na cidade e quer ajudar o Movimento de Intervenção pelas Matilhas. Corre 1km para cada mil seguidores.
Bssta seguir a associação para ajudar.

Jana Zbořilová nunca gostou de correr. A sensação de ter o corpo suado foi sempre um pesadelo para a especialista em marketing que se sente, como a própria descreve, uma “batata a morrer no duche”. Mas quando percebeu que a corrida “não era um castigo, mas sim um privilégio” decidiu dedicar-se à atividade física — transformou-a em algo mais e qualquer um pode ajudá-la.

“É mais fácil manter-se motivado quando fazes isso por um propósito maior”, começa por contar à PiT a voluntária de 31 anos. Jana começou a correr em 2020, mas foi só em 2021, quando veio para Portugal, que a atividade se tornou num hábito. Este ano, porém, começou a pensar em alternativas para ajudar o Movimento de Intervenção pelas Matilhas crescer e pensou em juntar o útil ao agradável.

Para cada seguidor da associação que ajuda há um ano, Jana corre um metro. Ou seja, a cada mil seguidores, corre um quilómetro. “Vi alguns desafios semelhantes nos Estados Unidos, mas não queria fazer isso para ganho pessoal, como aumentar os meus seguidores, mas sim para ajudar a aumentar a visibilidade do Movimento”, refere.

A especialista em marketing confessa que não corria todos os dias — estava habituada a praticar a atividade de duas a cinco vezes por semana —, mas desde que lançou o desafio, tem a praticado com mais frequência.

“Como 3.560 seguidores fazem 3.561 quilómetros, o que não é grande coisa, não tenho desculpa ainda”, brinca. “Gostaria que tivéssemos mais de 10 mil, o que dificultaria a corrida diária, mas com esses números poderia ser mais fácil arrecadarmos dinheiro para as despesas veterinárias e para o refúgio, aponta.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Jana Zbořilová (@janaczpt)

A história de amor com Portugal teve início em 2021, quando veio para cá passar férias com um português. A paixão pelo País foi tão grande que não queria mais ir embora. Instalou-se em Coimbra e não demorou muito tempo para se aperceber dos cães vadios que circulam de uma ponta à outra da cidade.

No país natal, Jana confessa que a realidade dos animais vadios é outra e que quando percebeu que cá não era igual, decidiu fazer algo a respeito. “Fiquei devastada porque na República Checa não temos cães de rua”, afirma. Na mesma altura, pesquisou associações locais e foi assim que se deparou com o Movimento de Intervenção pelas Matilhas.

“Visitei o abrigo de Coimbra com eles pela primeira vez há um ano”, recorda, acrescentando que desde então, tornou-se voluntária para ambos. E nos últimos meses, fez um pouco de tudo — recebeu cães em casa como família de acolhimento temporário (FAT), levou comida até aos locais sinalizados, andou pela floresta à procura de cachorros, levou os animais para adoção para passear, entre outros.

“Não há uma rotina fixa”, aponta. “Ultimamente, temos passado a maior parte do tempo a tentar apanhar os cachorros, que parecem estar literalmente por toda a cidade de Coimbra. É uma loucura e muito triste”, lamenta.

“Ser voluntário não significa que tenha de estar disponível diariamente e coberto sempre de lama”

Como FAT, Jana acolhe maioritariamente cachorros. E o primeiro que teve em casa, Eddie, acabou por lá ficar. “O meu parceiro apaixonou-se tanto por ele que ele ficou connosco. É mesmo um cão extraordinário”, diz à PiT. Na República Checa, tem ainda Mandle, cujo nome significa amêndoa. “Ela foi salva de um abrigo ucraniano há seis anos. Vive com os meus pais”.

O mais recente desafio que adotou, a corrida em nome dos animais, é um objetivo que pretende seguir, mas avança que qualquer um pode fazer algo semelhante, seja para a caridade ou não.

“As pessoas podem ter um grande objetivo, como uma corrida, ou correr mil quilómetros num ano”, esclarece. “Correr é liberdade. Não é o desporto mais barato se pretende praticá-lo a longo prazo, mas correr é liberdade. E isso é algo muito especial, mesmo nos nossos tempos, que uma vez descoberto, pode se tornar um prazer”.

Por outro lado, para aqueles que não pretendem correr mas têm vontade de se tornar voluntários na causa animal, Jana deixa uma mensagem. O primeiro passo, segundo a especialista em marketing é ter atenção à rotina diária. “Se trabalha em casa, pode ser a FAT perfeita. Mas se trabalha de segunda a sexta, de oito a dez horas por dia, primeiro precisa pensar na sua saúde mental”, frisa.

Uma ideia para quem não passa muito tempo em casa, por exemplo, é fazer uma recolha de fundos no seu local de trabalho ou até mesmo fazer vídeos, partilhar fotografias ou construir um site para uma associação.

“Ser voluntário não significa que tenha de estar disponível diariamente e coberto sempre de lama, ou pior”, partilha. “Pode socializar os cães ou levá-los a passear, ajudar em campanhas em lojas, ajudar no transporte de alimentos ou animais, na captura de cães ou gatos… há muitas opções. Pense nas suas capacidades e no que pode oferecer”.

A voluntária acrescenta ainda que como não tem filhos, fez a alimentação noturna pela primeira vez com os cachorros e foi uma aventura. “Fiquei coberta de cocó mas foi uma altura incrível”, confessa. “Só fiquei preocupada com o meu companheiro e os vizinhos porque os filhotes não ladravam, mas gritavam quando estavam com fome ou queriam atenção”.

Se quiser contribuir para o desafio, pode seguir o Movimento de Intervenção pelas Matilhas no Instagram e acompanhar todas as aventuras da voluntária.

De seguida, carregue na galeria para ver algumas fotografias de Jana com os animais.

ver galeria

MAIS HISTÓRIAS DE COIMBRA

AGENDA