Podia ser o cenário de “The Last of Us” ou de “The Walking Dead”, mas a região de Akarmara, na Abecácia, no norte da Geórgia, é muito mais do que isso. A cidade soviética está abandonada há mais de 30 anos e parece que foi deixada, literalmente, de um dia para o outro.
Hoje, engolidos pela floresta, os edifícios estão quase todos em ruínas, mas mantêm-se de pé. Lá dentro, guardam os quartos, as salas e toda a decoração feita pelos antigos residentes. Pela cidade, há ainda fábricas, cinemas, teatros e hospitais devolutos.
Quem visita a região, não imagina que, há cerca de três décadas, era uma das mais prósperas do país. A história remonta ao final dos anos 30 do século XX, quando foram construídos os primeiros edifícios para abrigar os trabalhadores das minas de carvão.
Após a Segunda Guerra Mundial, vários prisioneiros de guerra alemães chegaram a ser levados até lá, para trabalhar na construção civil. Nessa altura, começaram a nascer edifícios neoclássicos, tradicionais da Europa Ocidental, como hospitais, escolas, supermercados, restaurantes, um centro cultural, um hotel e uma estação ferroviária.
A região era também conhecida devido às fontes termais e banhos de radão (ou seja, em águas naturalmente radioativas). Em 1991, após a independência da União Soviética, integrou oficialmente a República da Geórgia.
No entanto, a independência não foi bem recebida por outras nações, sobretudo pela Rússia. Logo no ano seguinte, em 1992, um levantamento armado, apoiado pelo governo russo e iniciado na Abecásia, desencadeou uma guerra movida por uma limpeza étnica, o que provocou a morte de milhares de georgianos que ali viviam.
Ao longo de um ano, foi completamente devastada por bombardeamentos e conflitos, o que levou que grande parte dos seus residentes deixassem a região. No final, restaram apenas cinco famílias que, dois anos mais tarde, também abandonaram a localidade, deixando tudo para trás.
Totalmente deixada ao abandono, a cidade começou a ser engolida pela floresta, com árvores e vegetação a entrarem pelas janelas dos edifícios, que agora contam com vidros partidos e ruínas no interior. O silêncio também impera na região, que é hoje visitada apenas pelos mais curiosos e por alguns animais selvagens, como os javalis.
Muitos edifícios residenciais continuam a guardar pertences dos seus antigos habitantes, que foram preservados apesar da destruição. É possível encontrar roupas, móveis, cartas e até fotografias deixadas em malas ou em molduras.
Ainda hoje, a cidade é disputada entre a Geórgia e a Rússia. Enquanto grande parte da comunidade internacional reconhece a região como parte da Geórgia, a Rússia e os seus apoiantes consideram-na uma região autónoma desde 2008.
Nessa altura, havia rumores que a Geórgia iria entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, sigla em inglês) e o país acabou por ser invadido pela Rússia. Um dos objetivos das tropas russas era precisamente apoiar as regiões autónomas, incluindo a Abecásia, no conflito com as forças georgianas.
Atualmente, as visitas no território não são recomendadas por questões de segurança. Ainda assim, vários praticantes de urbex (conceito que inclui a exploração urbana) aventuram-se na região considerada um paraíso para os admiradores de locais abandonados.
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