Powered by CIM|RC

cultura

“The Kitchen”: o novo thriller da Netflix “que vai dar muito que falar”

O grande destaque do filme realizado por Daniel Kaluuya é um miúdo de 13 anos que nunca tinha representado na vida.
Tem um final chocante.

A vida de Daniel Kaluuya mudou drasticamente quando tinha apenas 18 anos. Vivia num bairro no norte de Londres entre Camden e King’s Cross. Até aquela altura, os crimes nas ruas já eram banais para o ator. De repente, pararam. A razão? Abriu o primeiro hotel da Eurostar naquela zona. “Depois disso, até os nomes dos cafés mudaram, e tudo estava diferente. Só com a chegada das pessoas ricas é que a polícia decidiu fazer algo para parar os atos ilegais que ali aconteciam desde que era miúdo”, lamenta. Apesar dos valores cada vez mais elevados da renda, conseguiu manter-se lá.

A sua infância foi uma inspiração para “The Kitchen“, o novo filme da Netflix que estreia na plataforma de streaming nesta sexta-feira, 19 de janeiro. Kaluuya é conhecido pelas personagens que interpretou em “Black Panther” e “Get Out”, mas aqui os seus papéis são outros: produtor e realizador, ao lado de Kibwe Tavares.

A narrativa desenrola-se numa Londres distópica e arrasada pelo crime. Izi, o protagonista encarnado por Kane Robinson, mora em The Kitchen, um bairro social de onde os residentes recusam sair apesar da ameaça constante de poderem ser expulsos a qualquer momento.

Ao contrário de muitos dos seus vizinhos, o homem mal pode esperar para deixar aquela vida para trás e agarrar novas oportunidades. Os seus planos mudam quando conhece Benji, que procura duas coisas: alguém a quem possa família e uma ligação humana com significado.

Apesar da resistência inicial, Izi acaba por se tornar num mentor para o miúdo de 12 anos. A amizade será testada pelas rusgas constantes ao bairro e pelas relações de Benji com jovens problemáticos. “Tudo isto culmina num final que vai dar muito que falar”, garante Kaluuya, de 34 anos, à “NME”.

Para ele, o coração do filme reside em Jedaiah Bannerman, que interpreta Benji. Uma estreia absoluta para o jovem de 14 anos, que nem sequer tinha participado numa peça de teatro na escola. A inexperiência foi precisamente um dos motivos pelos quais foi escolhido para o papel.

“Quando os atores já são muito experientes, a representação torna-se algo quase mecânico e tentam reproduzir o que os outros fazem. No caso dele foi completamente diferente. Limitou-se a seguir os seus instintos, e é por causa disso que a performance dele é tão magnífica“, descreve o produtor.

O jovem de 13 anos foi parar ao elenco por mero acaso. Na verdade, nem sabia que estávamos a fazer castings. Uma tia dele viu o anúncio e incentivou-o a mandar um vídeo de apresentação. “Ele foi, sem dúvida, o melhor dos melhores. Tinha aquele fator que nós procurávamos. Sinto-me muito grato por toda a profundidade que ele deu à personagem. Tem um nível de empatia muito alto para alguém tão novo. Só tenho elogios para lhe fazer”, garante o britânico.

Outra dos nomes surpreendentes do elenco é Ian Wright, uma lenda do futebol. Agora reformado, chegou a jogar como avançado no Crystal Palace, no Arsenal (entre 1991 e 1998) e na seleção inglesa.

Na produção, o seu talento no desporto não foi relevante, visto que interpreta Lord Kitchener, o locutor de uma rádio local que dá voz à resistência da comunidade. Como chegou ao filme? “Fez um casting”, revela Kaluuya.

“The Kitchen” está a ser um sucesso entre a crítica especializada. No Rotten Tomatoes, conta com uma avaliação de 85 por cento. “Uma visão genuína de um futuro distópico que vai fazer soar os alarmes para qualquer pessoa que esteja familiarizada com os efeitos da gentrificação”, descreve o “Deadline”.

Daniel assume que aquele universo tem muitas outras histórias que merecem ser contadas, e uma série de televisão não está fora dos planos. “Neste momento, contudo, queremos focar-nos apenas na oportunidade que tivemos. Mas vamos ver o que segue”, revela.

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em janeiro às plataformas de streaming e à televisão. 

MAIS HISTÓRIAS DE COIMBRA

AGENDA