cultura

O novo romance de Lara Fresco retrata a violência do namoro pelas ruas de Coimbra

A NiC entrevistou a autora conimbricense sobre o seu primeiro lançamento, "Por Amor a Madalena". Obra já está à venda.
A autora tem 27 anos.

Coimbra foi uma das primeiras capitais do País, ainda quando este não se chamava Portugal. Depois de muitas conquistas, é conhecida por ser a eterna cidade dos estudantes, título que mantém desde a instalação da segunda universidade nacional. É uma cidade histórica e foi precisamente essa a característica que inspirou Lara Fresco, de 27 anos, para o seu primeiro livro “Por Amor a Madalena”.

A jovem nasceu e cresceu em Coimbra, é licenciada em Psicologia pela Universidade de Coimbra e trabalha atualmente como gestora de fieldmarketing, numa rede nacional de clínicas dentárias. Nos tempos livres também é escritora. A narrativa retrata a história de Madalena e Bernardo. 

“Estiveram juntos nos melhores e piores instantes das suas vidas. E, também juntos, construíram as suas personalidades e juraram amor eterno. Até ao momento em que ele lhe bateu pela primeira vez”, pode ler-se na sinopse. Coimbra terá um grande papel no futuro desta relação, “será que tudo é justificável, quando dizemos que é feito por amor?”. 

Para saber como tudo termina, basta ler a obra. “Por Amor a Madalena” já está disponível nas livrarias portuguesas desde abril e está atualmente com dez por cento de desconto. Antes custava 17,7€ e está, agora, a 15,93€.

A propósito do lançamento do livro, a New in Coimbra conversou com a escrita Lara Fresco para saber o que inspirou esta história, como nasceu o amor pela escrita e o que podemos esperar para o futuro.

Leia a entrevista na íntegra que a autora deu à New in Coimbra.

Como descobriu o amor pela escrita?
Acredito que essa paixão tenha sempre existido, mas nunca tive o desejo de escrever um livro. Esta oportunidade surgiu completamente ao acaso. Estava no telemóvel a fazer scroll no Instagram, quando me deparei com um vídeo a questionar onde andavam os autores portugueses. A verdade é que sempre tive o bichinho, mas nunca levei a sério e posso dizer que esse incentivo foi fundamental. Desde que me lembro, sempre li muito, mas desde a faculdade que tinha deixado de ter tempo. Tudo coincidiu com a altura da Covid-19, quando a minha avó materna morreu e precisava de voltar a ter um escape. Nesse momento, criei a minha conta de Instagram dedicada à leitura e aventurei-me no meu primeiro romance. 

Como decorreu o processo de escrita da obra?
O processo não foi fácil, mas não deixou de ser atípico. Tenho perfeita noção que esta não é a realidade de todos os escritos, mas o “Por Amor a Madalena” foi escrito durante as minhas férias de verão. Passei dias a fio apenas a escrever, parecia que a história queria simplesmente sair e não conseguia parar. O que realmente me ajudou e motivou a seguir o meu caminho na escrita foi o facto de ter ‘beta reads’, isto é, ia enviando os meus progressos a duas amigas que consomem o mesmo tipo de leitura que queria escrever e davam-me todo o feedback possível. Este passo foi extremamente importante para definir o ritmo das ações, que está demasiado rápido ou lento e ter uma opinião de fora. Tudo isto, fez com que continuasse motivada e que enviasse tudo às editoras. Foi tudo muito rápido e atípico.

Por Amor a Madalena
Capa do livro.

Como nasceu a ideia de toda a história que queria transmitir aos leitores?
Confesso que já tinha tudo muito delineado, mas a história não ficou como tinha pensado. Tinha idealizado escrever um romance de segunda oportunidade, porque é aquilo que mais gosto de ler e tinha a certeza que queria um começo impactante. Assim que comecei a escrever e nasceram os primeiros parágrafos e sabia que tinha de redefinir toda a história. Nesse momento, sabia que a temática de violência no namoro tinha de estar retratada. Há muitos livros que romantizam esta questão da agressão verbal e física, até porque os dark romances estão na moda. E isso deixa uma linha ténue sobre o que é violência e não é. Por isso, era algo que não queria romantizar nem florear. A certo ponto, as personagens começam a criar a história sozinhas e ter vida própria e podemos deixar-nos levar por isso.

Porque é que considerou tão importante representar a violência doméstica no namoro no livro?
Considero importante explicar e mostrar, de certa forma, como esta violência é aplicada, porque nem sempre é algo notório. E até porque sinto que hoje em dia, o tal isolamento e a violência verbal é desvalorizado. Não é um tema muito explorado na literatura, pelo menos, não desta forma mais nua, mas era importante que fosse.

Qual foi a principal razão para ter escolhido Coimbra como o ponto principal para o enredo?
Grande parte da história acontece na cidade de Coimbra e oscila entre o passado e o presente. No passado, acompanhamos como o casal se conhece no ensino secundário, que acontece em Gaia e em Espinho. No presente estão os dois em Coimbra e estão a passar por uma crise. Para mim, o local sempre foi um ponto assente e já sabia disso independentemente da história. Sinto que é uma cidade subaproveitada e rica em histórias. As ruas da cidade acabam por assistir a muitas relações, românticas ou não, que acabam e, por isso, existem formas de criar mil e um enredos. O livro fala essencialmente do primeiro amor e como pode não ser tão bonito como parece. 

O que para si é essencial durante o processo criativo?
Numa primeira fase, é organizar a chuva de ideias e colocá-las em papel. Há dias em que as ideias simplesmente fluem e há outros que não não temos nenhuma. O processo é muito volátil e intenso. Uma coisa que não pode faltar para mim é o silêncio, nem quero música, nem pessoas a falar senão não consigo escrever. Além disso, não me forço a escrever. Se algo não estiver a fluir, volto noutro dia que, de certo, corre melhor.

Estava à espera de receber um feedback tão positivo?
Não estava à espera de todo. Dias antes do lançamento do livro, achava que podia correr muito bem como podia ser muito mau. No entanto, o feedback tem sido muito bom e permite que já estejamos a trabalhar no segundo livro. Agora existem mais expectativas e uma pressão extra para não desiludir os leitores. O primeiro livro tem um final aberto e havia potencial para continuarmos, algo que já está em andamento. 

Sendo uma autora portuguesa, sente que existe algum preconceito da parte dos leitores em Portugal?
Sim, existe muito preconceito contra os portugueses em geral. Os livros quando são traduzidos já vem com imenso feedback e não é uma aposta escura. Ainda há muito medo em arriscar por parte das editoras e de ler em português pelos leitores. Mas tem melhorado nos últimos anos, há mais aposta em escritores portugueses e permite mais opções. É de reforçar também que há autores portugueses melhores que muitos autores estrangeiros. 

MAIS HISTÓRIAS DE COIMBRA

AGENDA