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Lookalike: “Este álbum é dedicado às mulheres que não têm medo de ser elas próprias”

A NiC esteve à conversa com as irmãs gémeas Sofia e Carlota Gomes, a propósito do lançamento do novo disco "Deusa".
A dupla conimbricense de 26 anos.

A dupla Sofia e Carlota Gomes, também conhecida como Lookalike, começou o seu percurso profissional, em 2018, com o lançamento do single “Acabou”. A partir desse momento, nunca mais parou. Nos últimos anos, tem marcado presença em vários palcos por todo o País, tais como Rock in Rio, Sol da Caparica e Expofacic.

Se ficou curioso, o álbum de estreia das irmãs gémeas, de 26 anos, já está disponível desde a passada sexta-feira, 3 de maio, em todas as plataformas. “Deusa” conta com diversas colaborações, tanto na composição como na produção, como é o caso de Agir, Tyoz, Edu Monteiro, Gonzalo Tau e Hits Mike.

O disco é composto por nove temas originais que combinam os estilos de música pop e r&b. O projeto foi inspirado pelas experiências de ambas, onde o centro de quase todas as narrativas é a figura feminina. O principal objetivo das canções é empoderar todas as mulheres. Desde o começo do ano, que a dupla lançou três singles “A Noite Passada”, “Afrodite” e “Zona Vip” e ainda há mais novidades a caminho.

A propósito deste novo lançamento, a New in Coimbra esteve à conversa com as irmãs Sofia e Carlota. Leia a entrevista na íntegra.

Como é que nasceu o projeto das Lookalike?
O nosso percurso no mundo da música começou muito cedo. Tínhamos um piano em casa e sempre foi um instrumento muito tocado, principalmente pelo nosso pai. Sempre fomos muito autodidatas, apesar de termos tido aulas de piano, não queríamos ficar focadas nas pautas e apenas ler o que nos era dado. Nunca houve um momento específico onde tudo nasceu, já estava em nós. Gravámos a primeira música aos quatro anos e, desde então, que ficámos com o bichinho da música. Já na adolescência, decidimos começar por trabalhar enquanto back vocals em diversos projetos, por exemplo, o disco de José Cid 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte. Nessa altura, também começámos a receber mais convites para tocar em bares e essa experiência deu-nos mais bagagem. Cantávamos um misto de covers e originais, o que nos incentivou a escrever ainda mais. Foi tudo muito natural.

Como surgiu o vosso nome?
Um dia, enquanto estávamos a escrever, sentámo-nos as duas e ficámos a pensar qual deveria ser o nosso nome. Sempre assumimos que queríamos fazer isto juntas e só nos faltava um nome. Tivemos imenso tempo até encontrar o Lookalike, mas faz todo o sentido porque somos irmãs gémeas verdadeiras. Apesar de ser em inglês, achámos que nos definia bem e assim ficou.

Por que é que decidiram avançar com um projeto em conjunto e não a solo?
Para sermos sinceras, nunca foi uma questão sequer. Acho que o que nos moveu é sermos melhor juntas. Apesar de gémeas, somos bastante diferentes a nível de personalidade e o oposto uma da outra. Sempre foi uma paixão das duas e não fazia sentido estarmos num projeto sem a outra. Foi simplesmente automático, nenhuma das duas alguma vez pensou em estar sozinha ou ter carreiras diferentes. Só podia ter acontecido desta forma.

Como descrevem o vosso processo criativo quando escrevem os temas?
Depende muito dos dias. Há músicas que começam de um pequeno poema e outras pela melodia que queremos. Depende muito do local onde estamos e é nesse processo que nos complementamos. Ao utilizar exemplos do álbum, a “Narcisista” foi um dos temas que começou com a escrita. Nunca é sempre igual.

Apesar de ser o primeiro trabalho, conseguiram várias colaborações. Como foi trabalhar com grandes nomes da música?
A primeira coisa que aprendemos é que para a indústria da música é preciso ter muita lata. É preciso perguntar e chatear as pessoas porque o ‘não’ está sempre garantido. Foi um pouco dessa filosofia que aplicámos neste álbum. Temos a sorte de ter um estúdio em casa e conseguimos trazer a Coimbra a maioria dos produtores de Lisboa. O único tema feito na capital foi a “Alice”, escrito e produzido por Agir. Todos os processos passam sempre por nós, nem há outra hipótese. Quando compomos, começamos a imaginar o que queremos que seja o resultado final e, por isso, estar presente em todo o processo é essencial. Foi extremamente importante trabalhar com novas pessoas e estarmos rodeadas de artistas criativos.

Que objetivos tinham para o vosso primeiro álbum?
Tínhamos a certeza que tinha de ser diferente. Temos a perfeita noção que é fora da caixa e é claro que já queríamos ter lançado o projeto, mas veio exatamente na hora certa. Fomos crescendo e esse processo reflete-se no álbum. Estamos muito satisfeitas com o resultado. Tem sons diferentes e sentimos que conseguimos marcar a nossa identidade, quem ouvir, não pode dizer que não é nosso. Queremos ter canções que se destaquem na indústria pop em Portugal, para o bem ou para o mal, queríamos fazer algo diferente.

Sendo mulheres no mundo da música e tendo lançado um álbum chamado “Deusa”, como encaram o papel da mulher?
O papel da mulher é sempre difícil, especialmente nesta indústria porque os homens não precisam de se reinventar. Além disso, é uma indústria muito fechada. Ao mesmo tempo que é complicado, também é gratificante com o poder da mulher e sinto-me empoderada a escrever a ouvir músicas. É muito bom quando alguma canção nos faz sentir dessa forma. Outro ponto bastante importante é a autenticidade. Não termos medo do que somos e das experiências que passamos. Nós, por exemplo, procuramos transmitir algo verdadeiro do que algo que tenta ser o que não é. E essa é a verdadeira mensagem, daí termos escolhido o nome “Deusa”. O disco não é apenas sobre nós. É um conceito muito forte e que retrata sempre uma mulher. Deusa é o que consideramos uma mulher autêntica, uma pessoa que olha para si e questiona-se sobre a sua identidade. E isso que pretendemos ser sempre: honestas, verdadeiras e não deixar que os outros definam quem somos.

Como descrevem o disco em apenas uma palavra e porquê?
A palavra ideal é atrevida. É uma sonoridade diferente em que pessoas com gostos musicais diferentes podem ouvir. Há baladas, outras são um pop mais agressivo, outras são mais bubble pop. É uma montanha-russa de boas emoções.

Quais são os vossos planos para o futuro?
Daqui para a frente, vamos começar a promover o disco e estão quase a chegar os concertos. Ainda há mais algumas músicas para lançar e o melhor que pode acontecer é que as pessoas gostem do nosso trabalho. Depois disso tudo, é começar a trabalhar no próximo álbum. Gostamos muito de estar em Coimbra e pretendemos continuar até o trabalho permitir.

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