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Leo Middea: “Vai ser um concerto intimista em Coimbra. Apenas eu, o público e a guitarra”

Ainda vai a tempo de comprar o bilhete para o espetáculo, que acontece esta quinta-feira, 22 de fevereiro, no Salão Brazil.
Um fenómeno da música popular brasileira.

A música popular brasileira está a tornar-se cada vez mais conhecida no nosso País. Um dos exemplos perfeitos dessa adesão dos portugueses é Leo Middea, que celebra dez anos de carreira. Este ano, a tour de apresentação do novo álbum, “Gente”, passará por Coimbra, cidade onde o artista não atua há três anos. 

Em 2023, o jovem deu 65 concertos em oito países e três continentes diferentes. Esgotou diversas salas em Londres, Amsterdão, Rio de Janeiro, São Paulo, Paris ou Lisboa e alcançou mais de dez milhões de streamings só na plataforma digital Spotify. Leo Middea é um dos semifinalistas, que estará na corrida ao Festival da Canção, enquanto artista convidado da nova edição. 

O concerto na cidade dos estudantes está marcado para esta quinta-feira, dia 22 de fevereiro. Os bilhetes estão disponíveis online por 8€ no Salão Brazil, em Coimbra. A New in Coimbra entrevistou o cantor, a propósito do seu regresso à cidade e da participação no Festival da Canção 2024.

Como surgiu esta paixão e fascínio pelo mundo da música?
A música sempre esteve presente na minha vida. Quando era mais novo fazia imensas coisas, desde teatro até circo. Também frequentei capoeira até aos 14 anos e adorava a parte das acrobacias. Foi essa vertente que me permitiu entrar, ainda que por um curto período de tempo, no circo. Uma parte de mim sempre gostou muito deste cenário artístico, mas era muito envergonhado. A música surgiu no colégio, entre os 15 e 17 anos, quando numa das aulas começámos a aprender a tocar guitarra. Aos poucos, ia compondo alguns temas. Nesse momento, abriu-se um novo mundo, este era o meu verdadeiro escape. Na altura, já tinha uma banda, então eu escrevia os temas a pensar na voz da minha colega. No entanto, quando a escola terminou, a banda seguiu direções diferentes e fiquei sozinho. Como tinha tantas canções e músicas escritas, não queria desperdiçar o meu trabalho. Foi quando decidi começar a gravar tudo o que estava pendente. Só mostrava aos meus amigos e foram eles que me incentivaram a lançar o meu primeiro disco. E assim foi, apesar de ser algo mais improvisado e caseiro. Depois desse momento é que tomei a decisão de largar tudo e focar-me apenas na música.

Porque é que decidiu mudar-se para Portugal?
Na verdade, ficar em Portugal foi um processo muito natural. Decidi fazer um retiro de silêncio, ficar uns dias a fazer ioga e pensar exatamente no que queria fazer para o futuro. Sempre gostei muito da troca de ideias e estar num local mais aberto a outras culturas e possibilidades e Lisboa foi exatamente isso para mim. Na altura, pensei ficar apenas três meses e acabei por ficar sete anos. Entretanto decidi regressar ao Brasil, mas rapidamente voltei definitivamente.

Considera que essa decisão poderia ter sido um risco para a sua carreira?
Sinceramente não, são escolhas e caminhos diferentes. No Brasil existe espaço para muita gente, em Portugal há menos pessoas mas também há menos espaço, por isso acaba por ser muito parecido. Desde o ano passado, sinto que se têm aberto muitas portas, não apenas em Portugal, como pela Europa fora. Acaba por ser um refúgio e consigo circular para o estrangeiro de forma mais fácil e com outra liberdade. Em Portugal, acabo por estar num ciclo mais internacional, por assim dizer. São caminhos diferentes, é algo que demorou a cimentar mas está a valer muito a pena. Está a tornar-se mais divertido fazer música, sem dúvida.

Como é que lidou com o sucesso do novo álbum “Gente”?
O “Gente” é um disco muito especial e onde assumi uma sonoridade mais pop que resultou muito bem. Definitivamente é o álbum que mais me abriu portas até hoje e isso é notório nos espetáculos, porque estas músicas são sempre as mais cantadas. Trabalhei em conjunto com o produtor Breno Viricimo e já estamos a planear voltar ao estúdio juntos. Escolher um bom produtor é essencial para a vida do disco, traz uma personalidade muito forte para os temas e essa essência reflete-se no produto final. Antes de passar a esse novo desafio, quero lançar, ainda este ano, um disco apenas de músicas ao vivo. Tenho estado a gravar algumas músicas em diversas salas por onde passei e estou a passar e a ideia é criar um álbum com uma música por cidade. Acho que vai ser muito interessante ouvir as diferentes plateias e as vibes das cidades.

Como é que reagiu ao convite para participar na próxima edição do Festival da Canção?
É maravilhoso, nunca tinha pensado que iria receber um convite. Tenho acompanhado desde que Portugal ganhou a Eurovisão com o Salvador Sobral, porque foi no ano que cheguei a Portugal. Já falta muito pouco e aposto que vai ser muito divertido. Independentemente de abrir mais portas na indústria da música, vou estar num registo totalmente diferente. Porque nunca estive numa competição musical e vai ser uma atuação muito especial e espero que as pessoas gostem. E também espero que entendam que, apesar de ser brasileiro, também sou português e retrato muito a vida no País nas músicas. Só pelo facto de ter sido convidado foi um gesto muito bonito, mostra a ligação forte que Portugal e o Brasil partilham. Terem-me escolhido foi muito bonito e marca um momento histórico de uma beleza imensa. 

O que podemos esperar do concerto em Coimbra?
Vai ser um concerto muito especial, já há algum tempo que não toco no Salão Brazil, em Coimbra. Vou fazer algo mais acústico e íntimo, acompanhado da guitarra e, talvez, do piano. Vamos passar músicas de todos os álbuns, vai ser um repertório muito especial. Vai ser um concerto pensado para toda a gente, para quem se conexa com a história ao longo do concerto. A lista de temas ainda não está determinada, mas é certo que não faltarão êxitos como “Que Sorte” e “Balanço de Amor”.

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