Já era apontado como favorito e confirmou as previsões. Esta quinta-feira, 9 de outubro, o escritor húngaro László Krasznahorkai foi anunciado como o vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2026, numa escolha que a Academia Sueca justificou com o poder da sua obra “entusiasmante e visionária”. Para o júri, o autor consegue reafirmar o valor da arte “mesmo no meio do terror apocalíptico”.
Apesar de não ser uma figura muito conhecida do grande público, o nome de Krasznahorkai circulava há semanas como um dos mais prováveis candidatos ao galardão. A sua vitória surge dois anos depois da distinção da sul-coreana Han Kang.
Não é um autor fácil, longe disso. Os seus livros são denso labirintos de ideias, emoções e filosofia. Escreve frases longas, muitas vezes com várias páginas, e exige total atenção de quem se atreve a entrar no seu mundo. Mas essa exigência acabou por se tornar marca de autor e até razão de culto.
Nasceu em 1954, na pequena cidade de Gyula, na Hungria. Estudou Direito e Letras antes de se dedicar à literatura. Viveu em vários países, incluindo Alemanha, Japão e Estados Unidos, e esse percurso nómada deixou marcas profundas na sua escrita.
É raro vê-lo dar entrevistas ou participar em eventos. Está quase sempre longe dos holofotes e ainda mais longe das redes sociais. Mas isso nunca o impediu de conquistar leitores fiéis e o respeito da crítica literária internacional. Com o Nobel, encontra finalmente a consagração mundial.
A sua estreia foi com “O Tango de Satanás”, publicado em 1985. O livro retrata uma aldeia rural em ruínas no rescaldo do colapso comunista e tornou-se um clássico moderno. A obra ficou célebre também pela adaptação cinematográfica de Béla Tarr, que transformou o romance num filme de sete horas, que também ele se tornaria num clássico de culto. Tarr acabaria por adaptar mais quatro livros do húngaro ao cinema, inclusive “O Cavalo de Turim”, um dos seus trabalhos mais reconhecidos.
Vieram depois obras como “A Melancolia da Resistência” (1989), que inspirou o filme Werckmeister Harmonies e “Guerra e Guerra” (1999), uma viagem tão física como espiritual por uma Europa em colapso. Em 2008, lançou “Seiobo Desce à Terra”, onde explora as tradições espirituais e artísticas de diferentes culturas. Este último valeu-lhe o Best Translated Book Award em 2013, nos EUA.
Em 2015, foi distinguido com o Man Booker International Prize, um dos maiores prémios literários do mundo. Ao contrário do Booker tradicional, este prémio reconhece toda a carreira de um autor e a de Krasznahorkai já era, na altura, uma das mais singulares da literatura europeia.
“Melancolia da Resistência” é uma das obras traduzidas e editadas em português, pela Cavalo de Ferro, em 2013. A mesma editora lançou também “Guerra e Guerra” em 2015 e “A Lua Apaga-se, o Relógio Avança”, em 2016. “O Tango de Satanás” foi também editado pela Antígona em 2018.

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