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Delegação de Portugal assume que este “foi um ano com mais tensão” na Eurovisão

Ao contrário do que está a ser dito nas redes sociais, a RTP não acredita que iolanda tenha sido prejudicada pela organização.
Foi uma edição polémica.

A Suíça ganhou com “The Code” e Portugal ficou numa ótima posição com o “Grito” de iolanda. Mesmo assim, muitos dos fãs da Eurovisão estão desiludidos com a mais recente edição do festival, cuja final foi transmitida este sábado, 11 de maio.

Nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter) foram várias as críticas feitas à União Europeia de Radiodifusão por diferentes motivos, desde a expulsão de Joost Klein, dos Países Baixos, à demora do upload da atuação da representante portuguesa no YouTube.

Apesar de iolanda ter sido a 18.ª artista a subir ao palco, a sua apresentação foi a penúltima, ou seja, a 25.ª, a ser colocada na plataforma. Quando a delegação se apercebeu da demora, foi falar com a UER, que rapidamente disponibilizou o vídeo.

Outro tópico de conversa tem sido a partilha da performance no Instagram. Muitos fãs repararam que o post contém um vídeo do Jury Show e não da grande final. Segundo o que uma fonte da delegação conta à NiT, isto é totalmente normal e o mesmo aconteceu com os outros países. Não foi, então, por causa das unhas que iolanda estava a usar, que continham referências à resistência da Palestina face aos ataques de Israel que já mataram mais de 33 mil pessoas desde 7 de outubro.

A equipa portuguesa assume, mesmo assim, que o ambiente nos bastidores estava mais tenso do que o habitual, também porque é “um ano atípico no mundo”. Em conversa com a NiT, também falaram sobre a reunião que foi pedida por vários países à UER.

Leia agora a nossa entrevista e conheça melhor o que aconteceu este ano na Eurovisão.

Este ano, o ambiente nos bastidores era mais tenso do que o habitual?
É claro que é um ano atípico. É um ano atípico no mundo. E, portanto, a tensão sempre aconteceu, mas claro que sim, foi um ano com mais tensão. Houve vários incidentes durante o percurso e isso causa sempre alguma tensão. Mas também posso garantir que houve um ambiente de camaradagem, boa disposição e de diversão por parte dos artistas.

Como é que era a relação da delegação de Israel com as dos outros países?
Tal como nos outros anos, isto é algo que aconteceu anteriormente, Israel é um país que viaja com a sua própria segurança, como sabemos e, portanto, são sempre uma delegação que não interage tanto com os outros artistas quanto isso, mas estavam no concurso e tinham os mesmos acessos. A iolanda, por exemplo, relacionou-se mais com uns cantores do que com outros, independentemente de onde é que eles vinham por questões de afinidade. As relações são mais pela afinidade que se vai criando e que os artistas têm quer artisticamente, quer a nível pessoal ou porque vão àquelas festas que antecedem e se conhecem uns aos outros. A iolanda quando cá chegou já conhecia outros artistas e outros conheceu cá. Como todas as relações na vida, relacionamo-nos mais de perto com umas pessoas do que com outras.

Sei que foi pedida uma reunião de emergência por vários países. Como correu e o que é que foi falado?
Foi de facto pedida uma reunião por vários países, como acontece muitas vezes. Foi completamente informal e não aquilo que veio à tona de um gabinete de crise que esteve reunido toda a noite, pelo menos que Portugal tenha conhecimento. Houve várias reuniões informais durante o processo a questionar a EBU sobre alguns dos detalhes do concurso, mas foi só isso.

Na red carpet, a iolanda usou unhas com referências à resistência da Palestina. A organização disse-vos algo sobre isso?
A iolanda sempre teve da nossa parte total liberdade para usar ou dizer aquilo que quer. Se há coisa que a RTP defende é a liberdade artística e individual de cada um. A iolanda usa as unhas e a roupa que quiser e diz aquilo que bem entende. É uma pessoa adulta com voz própria e vivemos num país democrático em que cada um pode expressar a sua opinião.

Na atuação deste sábado a iolanda também usou unhas com referência à Palestina. Sentiram-se com medo da repercussão por parte da organização?
Nunca fomos abordados por alguém da organização a reprimir ou a ameaçar-nos de alguma repercussão em relação a algum elemento que a iolanda tenha usado.

A organização não fez upload da atuação da final da iolanda, mas sim da semifinal. O motivo foram as unhas?
A atuação da iolanda que está no YouTube é da final. De facto demorou mais tempo a fazer o upload. Nós contactámos a EBU nesse momento quando percebemos que já havia as outras atuações disponíveis e a nossa não. A EBU fez imediatamente o upload da atuação. O que está no Instagram é o Jury Show, o ensaio da noite anterior, mas é de todas as performances, não é só a nossa. Já o ano passado foi assim. Têm tudo preparado para lançar imediatamente a seguir à atuação e todos os vídeos que lá estão são da noite anterior. O nosso e os outros.

Sentem que isto influenciou as possibilidades de Portugal ganhar?
Não achamos que a nossa classificação final tenha sido beneficiada ou prejudicada por qualquer motivo extra. Estamos muito contentes com o resultado final. Quando a iolanda chegou a Malmö, as casas de apostas diziam que nem sequer passaria à final. Fomos para a final com a iolanda nessas mesmas casas de apostas em 21.º lugar e ficámos no top 10. Temos de estar orgulhosos e não achamos que haja nada que tenha corrido mal, na realidade.

No final da atuação na final a iolanda disse que a “paz vai prevalecer” Isso foi algo planeado ou ela decidiu no momento?
A RTP deixa aos artistas toda a liberdade para dizerem aquilo que bem entendem. O artista está em representação da RTP e de Portugal, mas é um artista individual com opinião própria e com as suas posições e não seríamos nós nunca a pedir a alguém para deixar de dizer aquilo que quer ou sente.

O que me podem dizer sobre a expulsão dos Países Baixos da Eurovisão? Sei que maior parte dos países ficaram desiludidos.
É exatamente aquilo que foi comunicado pela EBU. Sabemos que houve um incidente e que está a decorrer uma investigação e que exatamente por estar a decorrer essa investigação não há muitos detalhes. Sabemos que foi um incidente entre o cantor holandês e alguém da equipa da EBU. Não foi nada relacionado com outra delegação ou outro país concorrente e é tudo o que sabemos. Sabemos que está em investigação e acredito que por esse mesmo motivo há uma série de informações que não possam ser partilhadas já e também aguardamos mais esclarecimentos. Temos exatamente a mesma informação que foi divulgada para a imprensa.

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