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Caos na Eurovisão, entre acusações de assédio israelita e censura da organização

Nos bastidores, acusou-se a delegação israelita de assédio. Portugal pediu mesmo uma reunião de emergência à organização.
Uma edição cheia de polémica.

A edição de 2024 da Eurovisão ficou marcada por muitas polémicas, como a expulsão de Joost Klein, o concorrente dos Países Baixos e os apupos do público sempre que Israel subia ao palco. E no dia da grande final, este sábado, as controvérsias não cessaram. Pelo contrário.

Portugal, que ficou em décimo lugar, viu-se igualmente envolvido num caso que levou mesmo à solicitação de uma reunião de emergência com a organização. Antes da final, membros da delegação portuguesa revelaram ter assistido a casos de perseguição e assédio por parte de elementos da delegação de Israel a outros países, que motivou um pedido de audiência com a União Europeia de Radiodifusão.

A notícia foi adiantada pela RTP que mencionou “eventos de perseguição da delegação israelita, a membros da Grécia, Suíça, Irlanda e Países Baixos” na zona dos bastidores, próximo da equipa de Portugal. Bambie Thug, que representou a Irlanda, também tinha pedido uma reunião de emergência com a UER e não participou no ensaio devido a “uma situação” que tinha ocorrido no início do dia. Os participantes da Grécia e da Suíça também não compareceram.

“Ocorreu uma situação enquanto esperávamos para subir ao palco e participar no desfile de artistas, pelo que pedi a atenção urgente da UER. A UER levou este assunto a sério e discutimos que medidas tomar”, explicou Bambie nas redes sociais.

Censura também foi palavra de ordem nesta edição da Eurovisão. Num TikTok partilhado e já apagado, Bambie Thug revelou que a produção a obrigou a alterar a maquilhagem porque, no rosto, tinha uma mensagem de apoio à Palestina que pedia o cessar-fogo.

Iolanda também sentiu na pele esta política de repressão. Na noite de sábado, a União Europeia de Radiodifusão partilhou nas redes sociais, nomeadamente no Instagram, as atuações finais de todos os países, com a exceção de Portugal, do qual s viu apenas o vídeo da apresentação da semifinal.

Por detrás da decisão alega-se que estejam as controversas unhas de iolanda. Num gesto de desafio perante a organização, que baniu quaisquer mensagens políticas — e o uso de bandeiras da Palestina —, surgiu na red carpet com unhas ornamentadas com o padrão do keffiyeh, o símbolo de resistência palestiniana. E no final da atuação, deixou outra mensagem, essa mais universal, mas sem dúvida dirigida à polémica que ensombrou o evento: “Peace will prevail” (em português, “a paz vai prevalecer”), gritou.

A cantora não se ficou por aqui. Quando estavam a ser atribuídos os pontos do júri e Portugal recebeu os tão cobiçados 12, fez questão de mostrar as unhas para a câmara enquanto celebrava.

Os resultados da Eurovisão foram revelados no sábado à noite. O país vencedor foi a Suíça, representada por Nemo. Leia o artigo da NiT e conheça melhor a história do intérprete de “The Code”.

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