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“Café Bonheur”: o espetáculo-manifesto que vai estar no Teatro da Cerca de São Bernardo

Nome da peça faz alusão a aspetos tradicionais da cultura parisiense. Matéi Visniec é tanto autor como encenador do espetáculo.
Peça pretende ser uma crítica à obsessão pela felicidade individual.

A companhia de teatro Escola da Noite volta a pisar os palcos do Teatro da Cerca de São Bernardo para apresentar “Café Bonheur”, do dramaturgo franco-romeno Matéi Visniec. A peça de teatro tem estreia marcada para o próximo dia 9 de novembro, quinta-feira, mantendo-se em exibição até ao último dia do mês.

A Escola da Noite já não é estranha ao trabalho de Matéi Visniec. A colaboração com o dramaturgo iniciou-se em 2014, quando a companhia de teatro levou a palco a peça “Da sensação de elasticidade quando se marcha sobre cadáveres”, com encenação de António Augusto Barros. Já com “Café Bonheur”, a Escola da Noite lançou o desafio a Matéi Visniec para também adotar o papel de encenador para a produção da festa.

A peça é, segundo as palavras do próprio autor, “um espetáculo-manifesto”, que vai convidar o público a refletir sobre “a sociedade de consumo, o individualismo e todas as formas de manipulação e “lavagem cerebral””. Para isso, Matéi Visniec baseou a escrita de “Café Bonheur” num conjunto de textos que têm uma conotação política, mas também poética”.

O título do espetáculo é uma referência a uma tradição parisiense, que dita o café como “espaço de encontro e socialização”. No entanto, o propósito da encenação é fazer uma crítica à “obsessão” em que se tornou, nas sociedades ocidentais, a busca individual da felicidade (“bonheur”). Segundo o também encenador de “Café Bonheur”, a busca por esta felicidade é, atualmente, “um reflexo do egoísmo primário, uma forma de cegueira e de toxicidade”. Matéi Visniec deixa, assim, a interrogação de se “podemos ser realmente felizes quando mesmo ao nosso lado alguém sofre horrivelmente”.

O autor franco-romeno confessa que participar na encenação da peça de teatro da sua autoria tem sido “uma experiência cultural e humana única”, dotada de “momentos artísticos intensos e ricos em emoções”. O dramaturgo salienta ainda que, em “Café Bonheur”, vai falar de “angústias num mundo sem esperança”. Porém, ressalva que é defensor “da esperança” e reforça a sua confiança “no ser humano e a sua capacidade para superar as crises”.

Após a estreia do espetáculo, “Café Bonheur” vai estar em cena às quartas e quintas, às 19 horas. À sexta e ao sábado, a peça fica em exibição, às 21h30, e ao domingo pelas 16 horas. Os bilhetes custam 10€, sendo aplicável um desconto para estudantes, desempregados, maiores de 65 anos e profissionais ou amadores de teatro.

Matéi Visniec nasceu na Roménia em 1956. É autor de cerca de 40 peças de teatro, que já foram encenadas em vários países. Estudou Filosofia em Bucareste e é considerado um dos responsáveis pela alteração da paisagem poética e literária do seu país natal nos anos 80. É dos dramaturgos mais encenados na Roménia, definindo-se como um “autor engajado, humanista, de cultura universalista”.

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