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“A conta que Deus fez”: o novo álbum que “rompe os estereótipos” do fado de Coimbra

O projeto de João Farinha será lançado em setembro e já conta com o primeiro single publicado, a "Balada da Despedida".
Já tem concertos agendados.

Desde miúdo, que João Farinha tem um fascínio pelo mundo da música e começou a gostar de um estilo mais grunge e alternativo. Tudo isto, numa tentativa de fugir ao que ouvia o pai a cantar todos os dias: o fado de Coimbra. 

“Foi durante o curso de Gestão que tudo começou a fazer sentido”, explica à New in Coimbra o artista de 48 anos. “Quando atingi uma certa maturidade, comecei a compreender melhor o fado e apaixonei-me”. Ingressou no primeiro grupo académico em 1997, que se dedicava a cantigas de fado tradicional. Mais tarde, a brincadeira tornou-se em algo mais sério até decidir apostar na carreira musical.

Esse processo não foi tão fácil e imediato como João desejava. Começou por trabalhar na área de licenciatura durante uns anos até que, em 2011, decidiu avançar com o projeto Fado ao Centro, juntamente com dois amigos, Luís Carlos e Luís Barroso. Esta é uma casa de fados situada na icónica Rua Quebra Costas, em Coimbra, que conta com atuações ao vivo todos os dias, às 18 horas. “É uma proposta mais clássica e pura”, explica. 

No entanto, esta não era a única forma de criar fado de Coimbra. “O principal objetivo é dar a conhecer este tipo de música a públicos diferentes que apreciem distintos estilos”, acrescenta. Paralelamente ao Fado ao Centro, João começou a trabalhar no seu repertório e concluiu dois discos com o grupo, o “Sim”, em 2018 e, por fim, o “Solto”, em 2020. 

Agora, prepara-se para lançar o terceiro álbum “A conta que Deus fez”, em setembro deste ano. O nome nasceu do ditado popular que sente que representa o seu percurso musical. “Há quem possa ficar confuso, porque é o quarto álbum, mas apenas o terceiro a solo e é uma forma de mostrar que os números não são entraves para a música”, remata.  

“Não sigo estereótipos e gosto de incorporar guitarra elétrica e elementos de percussão, por exemplo”, explica. No entanto, neste novo trabalho, João sente que foi ainda mais além. “Nos anteriores trabalhos ainda estava um pouco agarrado aos cânones tradicioniais, algo que perdi completamente”, acrescenta. 

Podemos esperar um trabalho com linguagem mais pop e integração de instrumentos que não estão ligados ao fado de Coimbra. “É um trabalho que tem muitas influências”, salienta. É composto por dez canções em que podemos encontrar quer temas originais como novas interpretações de letras que já conhece. 

Todo o trabalho foi produzido por Tiago Machado, responsável pelo “Melhor de mim” de Mariza e muitos mais. “Um músico premiado que contribui para uma nova sonoridade de melhor qualidade”, explica João. 

Entretanto, já saiu o primeiro single deste novo projeto, a “Balada da Despedida”, no passado dia 15 de abril. É um tema que junta dois estilos de música completamente destintos: o fado e o rap. Para isso, o artista João Farinha juntou-se ao rapper Ruze para dar uma nova roupagem à tradicional letra. “O feedback tem sido extremamente positivo. É claro que quando se mexe em algo tão tradicional, há sempre receio que as pessoas estranhem e não gostem, mas ainda bem que tal não aconteceu”. 

Durante os próximos meses, João Farinha espera lançar mais dois novos singles, em junho e setembro. Além disso, já tem duas datas marcadas para concertos. Uma delas é 27 de setembro, em Coimbra, (espaço ainda a confirmar) e dia 6 de outubro, na Casa da Música, no Porto. 

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