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Quer uma peça única em lã? É com a Ovelha Mãe que tem de falar

A marca 100 por cento lã é defensora das peças de autor — e já levou o artesanato português até ao Uzbequistão.
Estela Melo começou a marca em 2012.

A Ovelha Mãe, a marca que tem a lã como matéria-prima, defende o lema: “Produzir peças com tempo e carinho que cada uma delas merece”. Estela Melo, 55 anos, é quem está por detrás do projeto que ‘viu a luz do dia’ em 2012. Oriunda de Aveiro, cresceu com um interesse inato pela confeção. “Comecei muito cedo a fazer a minha roupa porque ninguém a fazia ao meu gosto”, revela. 

Com um gosto pela criação, foi tirando formações na área têxtil até se aventurar na indústria com a sua própria marca. “Aprendi a trabalhar com algodão e linho, mas acabei por descobrir que queria dedicar-me à lã”. Há uma razão para essa devoção: “Gosto deste tecido pelo seu toque e diversidade. Existem lãs horrivelmente ásperas ou maravilhosamente macias”.

Estela Melo não lança coleções, cria peças únicas, o que, de acordo com a própria, é um desafio. “Ainda não temos uma grande cultura em Portugal que entenda que as peças de autor têm um valor diferente de peças em série”.

As suas criações são também a materialização de histórias, como é o caso de uma manta que custa 250€: “Inspirei-me nas antigas mantas de trapo que sempre andaram lá por casa com a sua característica costura a meio e aqui está o resultado. Cada manta que faço é única”.

Além das mantas, a Ovelha Mãe tem uma oferta diversificada de produtos que mantêm vivo o artesanato português: tapetes, cachecóis, casacos, vestidos, chapéus, pantufas para bebés, entre outros. Apesar de todas as peças serem diferentes, o tempo de criação é de, normalmente, um a dois dias. No entanto, quando exige um maior detalhe e complexidade pode durar até uma semana. 

O tear, o aparelho mecânico para fins de tecelagem, é a sua ferramenta de trabalho. “Desde criança que queria ter um tear”. Estela não se esquece da primeira peça que fez: “Foi um tapete tradicional às riscas azuis e verdes, duas cores que gosto muito”.

Ora em Coimbra, ora em Aveiro, Estela dedica quase 100 por cento do seu tempo à Ovelha Mãe. O processo de produção das peças começa com a extração da lã. Além de ter as suas próprias ovelhas, revela que os vizinhos também lhe dão matéria-prima ou, então, compra lã portuguesa. “Esforço-me por usar produtos nacionais”. A preocupação com o made in Portugal está até presente no processo de tingimento. “Vou ao quintal e apanho as plantas para tingir os fios”.

A lã de ovelha é uma perdição para Estela Melo.

A artesã inspira-se nas viagens e no que os povos e os seus costumes têm para dar, fugindo sempre que possível do circuito turístico. “O que gosto de ver é o que não está à mostra.” Desta forma, as influências dos sítios onde já foi feliz vão estando presentes nas suas peças, em especial através da paleta de cores. “De forma inconsciente, acabo por andar a fazer viagens imaginárias”.

Em Portugal, gosta de visitar os sótãos e arrumos das “velhinhas”, como refere, o que a leva a descobrir mantas com anos de história, mas não é tarefa fácil. “Convencê-las que o que têm a cobrir as batatas são relíquias é difícil”, brinca.

Apesar de ser fiel à tradição, Estela Melo não vive longe do mundo da moda, visto que já marcou presença na Semana de Moda de Sevilha e é casada com Carlos Gago, um cabeleireiro de renome no panorama nacional. “Aproveito o know how antigo para fazer peças contemporâneas”.

A criadora esteve presente no Basque BioDesign Center em Bilbao.

A criadora faz parte da Associação de Criadores Têxteis Espanhola, viajando pelo mundo nas ‘asas do artesanato’. Recentemente, esteve em Badajoz e agora está a preparar-se para ir a Biscaia. Há uma feira que a marcou de forma especial: a Mostra de Artesanato do Uzbequistão, em 2019, que é um dos destinos favoritos dos fãs de tecidos. “Em termos têxteis, era tudo aquilo que sonhava ver há muitos anos.” 

As ovelhas fazem parte não só do ADN da marca, como da própria Estela Melo — e até por razões (no mínimo) insólitas. “Uma vez, uma ovelha bateu-me na cabeça e mandou-me para o hospital com um traumatismo craniano encefálico”, recorda. 

A família está presente desde o início do projeto, visto que as filhas são o braço direito da artista na criação de conteúdos gráficos, mas não só. Estela conta que o nome “Ovelha Mãe” surgiu na mesa de refeição num momento de brainstorming. “As minhas filhas viram-se e dizem: “A mãe é que trabalha com as ovelhas.” Não é do género “mãe galinha”, mas, sim, a mãe é que entende de ovelhas”. As curiosidades não se ficam por aqui. Algumas das etiquetas o “O” tem uma ovelha lá dentro e lê-se “O velha mãe”. “É engraçado. Remete-nos para o conforto da avó”, conclui.

Carregue na galeria e fique a conhecer algumas peças da Ovelha Mãe.

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