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João, o agricultor que apela ao consumo sustentável “sem químicos e livre de preconceitos”

Todos os produtos da Quinta da Rocha estão disponíveis no Mercado Municipal D. Pedro V, em Coimbra.
O jovem responsável por todo este projeto.

O campo sempre esteve presente na vida de João Santos. Desde pequeno que se viu envolvido neste estilo de vida pacato e repleto de montes e pastos verdes numa aldeia perto de Coimbra. Por isso, uma das memórias que guarda da infância é estar a ajudar os avós e os pais nas tarefas da agricultura. 

Quando tinha cerca de 17 anos, decidiu envolver-se mais na produção de alimentos nas hortas de casa. No entanto, queria traçar o próprio caminho. “Decidi apostar na minha formação em cozinha e pastelaria. E foi nesse momento que me apercebi que a maioria dos alimentos produzidos e utilizados em restaurantes não tinham qualidade nem sabor, em comparação com os legumes e hortaliças produzidas pela minha família”. Por essa razão, o agricultor decidiu levar a produção agrícola mais longe.

Nasceu, assim, a Quinta da Rocha, onde o jovem de 24 anos se rege por certas normas: produtos de qualidade, cheios de sabor, de produção biológica e sustentável. “Trabalhamos ao sabor do tempo da natureza e, por isso, só temos sementes para alimentos sazonais. Não usamos quaisquer tipos de pesticidas e adubos químicos. É tudo feito num terreno perto de casa que estava parado e era utilizado para pastagens anuais”.

No entanto, esse processo torna-se prejudicial para o ambiente, porque as pastagens intensivas e a remexida de terra feita pelos tratores (apenas à superfície) fazem com o que o solo deixe de absorver os minerais necessários e até mesmo a água. “Ao longo dos anos, este processo acaba por contribuir para o agravamento da seca no País”, explica.

A Quinta da Rocha conta com dez ovelhas, um cavalo e dezenas de produtos. “A minha intenção é começar a produzir carne, mas ainda estamos num processo de experimentação. Estamos a criar os nossos animais, de forma totalmente natural, em particular as ovelhas. Queremos que seja sustentável, não apenas para o ambiente como também para os produtores”, explica. Os animais andam livremente no terreno e não consomem qualquer tipo de rações artificiais. Depois, as ovelhas são vendidas aos matadouros locais.

 
 
 
 
 
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O cavalo chamado Hirana, além de ser um excelente extra na vertente do lazer, ajuda na produção de estrume. “O único componente que utilizamos é o estrume. E, mesmo assim, só utilizamos o que é combustado por nós. Qualquer excedente que tenhamos, acabamos por comercializar também”. Graças a este animal, vão iniciar novas plantações, como a batata, alhos, brócolos, couve-flor, alfaces, beterrabas e muito mais.

Pode comprar estes produtos biológicos no Mercado Municipal D. Pedro V, em Coimbra. “Tentamos sempre ajustar os valores ao mercado nacional e às grandes superfícies, mas é muito difícil, principalmente porque o custo de mão de obra é muito superior ao que é oferecido nesses espaços, mas o preço não pode ser superior”, diz, acrescentando: “Diria que essa é mesmo a nossa maior dificuldade. Se formos comparar, as nossas alfaces ficam a 1,50€ o quilo, ou seja, cada uma ronda os 60 a 70 cêntimos. Numa grande superfície, o mesmo produto custa mais de 9€ o quilo”. Por isso, João considera urgente que a população tenha noção do que consome, mas também onde os produtos são criados.

Para o futuro, João pretende dar um passo maior. “Quero começar a trabalhar mais com o consumidor jovem, através de encomendas online, principalmente no centro do País. A ideia é fazer a economia circular, apelar à adoção de uma alimentação saudável e alterar os preconceitos da geração mais nova”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer melhor o trabalho de João Santos na Quinta da Rocha.

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